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Do tema aos modos, reflexões e invenções: pesquisa em artes e as escritas da pesquisa

  • Foto do escritor: Ines Saber
    Ines Saber
  • 11 de abr. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 13 de abr. de 2020

Ao refletir acerca da produção de textos acadêmicos que tensionam relações entre escrita, pensamento e o fazer artístico, as fronteiras entre forma e conteúdo, escritor e leitor, artista e público se afrouxam. A escrita da pesquisa em artes cênicas é tanto descrição - através de um sistema de formas normativas (da língua, da academia) -, quanto um ato que manifesta as emergências, a construção e a manutenção de saberes. Inclui-se neste escopo as pesquisas em artes cênicas, performance, teatro e dança produzidas em diversos programas de pós graduação que, mesmo com definição restrita enquanto titulação, abarcam a natureza híbrida do artístico e grande variedade de abordagens e temas.


Pensando nisso propus a primeira ação do projeto de pesquisa de doutorado, um chamamento para uma publicação de uma coletânea de textos em uma revista acadêmica. Depois de coletados diversos textos de diferentes universidades do Brasil, eu me reuni com algumas pessoas pesquisadoras artistas da Pós Graduação em Teatro e em Artes Visuais da UDESC interessadas em organizar esse material e buscar meios de publicação. O Corpo Editorial dessa coletânea é composto por Franciele Aguiar, Ines Saber, Jussara Belchior, Lucas Dalbem e Matheus Abel, o qual chamamos de Coletivo Escrita Performativa. A coletânea ainda não foi publicada, mas estamos em negociação com um Periódico da área das Artes Cênicas.





Ação 1: Chamamento para um publicação acadêmica

(recebimento de textos até Novembro de 2019)


Esta é uma chamada aberta para pesquisadoras e pesquisadores de pós-graduação em artes cênicas, teatro, dança e performance para a publicação de uma coletânea cujos temas são: as metodologias que inventamos; a relação de duas mãos entre modo e conteúdo; as atualizações e alternativas aos formatos tradicionais; as reflexões sobre nossa postura frente às práticas de pesquisa e a escrita acadêmica.


Se a arte é, entre tantas coisas, um modo de apreender o mundo, tem movimento próprio, “produz sempre e cada vez mais suas palavras [...] cunha os conceitos que ela mesmo critica” (ROCHA, 2016, p. 28); e na academia, assim como outros âmbitos, há formas organizacionais que perpetuam relações de poder colonizadoras, heteronormativistas, então o que pode (ou deve) ser uma pesquisa em artes cênicas?


Defendemos que a pesquisa em artes cênicas pode ser uma procura metódica e consciente, seguindo critérios próprios (indefiníveis enquanto generalização). Estamos tratando de processos, subjetividades e suas implicações. Há, certamente, preocupações sobre hibridação das artes cênicas contemporâneas, mas temos “insistindo na natureza híbrida do artístico, na transgressão de definições, e na necessidade de outros olhares conceituais para pensar os fenômenos cênicos atuais” (CABALLERO, 2016, p.18).


Esta coletânea parte da possibilidade de elaboração, através de uma ação conjunta de escrita seja ela prática, crítica e política, tema, método e ação, de pessoas pesquisadoras e artistas - uma escrita também dos dissonantes, dos dissidentes, dos discrepantes.

Se forma e conteúdo são intrínsecas em arte, e de mútua influência, por que a forma de pesquisá-la deve ser estabelecida à priori? Podemos pensar uma escrita que seja coerente com nossos temas e modos de pesquisa. Que a escrita aqui seja um ato, uma des-coberta de existências, mais do que uma descrição ou justificativa de nossas pesquisas. Desse modo, a publicação dessa coletânea propõe um potencial de desdobramentos, um espaço de seguir vestígios e pistas que não cabem no texto dito “acadêmico”. Através do questionamento, enquanto tema e modos, dos próprios modos de como a academia produz, gerencia e replica epistemologias.

Sendo assim, a coletânea será composta pelos relatos, críticas e narrativas das experiências do escrever de cada pesquisa das pessoas colaboradoras. O formato será elaborado de acordo com as propostas recebidas, como um convite à leitura de outros formatos e lógicas de escrita.


NORMAS PARA SUBMISSÃO:

Por se tratar de um volume especial, as normas habituais de submissão para revistas acadêmicas estão suspensas. Entendemos o texto como espaço investigativo em todos os seus desdobramentos, tais como os que acontecem nas inúmeras possibilidades de intersecção entre palavra e imagem.


Os textos (artigos, ensaios, zines, cartas, diário de bordo, etc ) devem ser inéditos, e ter até 25 páginas, no formato .doc, docx, ou pdf com páginas não numeradas, contanto que as autoras ou autores se disponham a fazer alterações eventualmente solicitadas pelas editoras e editores e que não ultrapassem 4 MB.


Para a submissão de um texto para esta coletânea aceitamos publicações de autores(as) artistas (em parceria com pessoas acadêmicas), mestrandos, mestres, doutorandos, doutores, escritos em língua portuguesa.


Quer falar sobre: questão de autoria em arte?, outras metodologias?, seus procedimentos?, seu processo de pesquisa versus seu processo de escrita?, onde sua pesquisa está repercutindo?, quais os dilemas éticos-estéticos?, qual a relação da academia com a sua pesquisa (de apoio, desaprovação ou impedimento)? FALEM! Não serão aceitas propostas que reproduzam a mesma “construção do discurso linear, duro, falocêntrico” (CABALLERO, 2016, p.17) que pretendemos destronar.


Deverão ser observadas estas diretrizes:

Cada colaboração deve listar de 3 a 5 palavras-chave (os pontos de discussão);

As margens da página devem ter 3 cm margem superior e esquerda e 2 cm margem inferior e direita;

Não há restrições quanto ao tipo de fonte, tamanho e espaçamento entre linhas;

É possível apropriar-se das normas da ABNT ou propor um outro modo de fazer citações;

Não serão permitidos plágios;

As referências precisam ser listadas no texto - referência não é só que está em livro, é também quem produz conhecimento.


REFERÊNCIAS

​CABALLERO, Ileana Dieguez. Cenários liminares: teatralidades, performances e política. Uberlândia: EDUFU, 2011.

ROCHA, Thereza. O que é dança contemporânea? Salvador: Conexões criativas, 2016.

 
 
 

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