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MUITO POUCO

1. De repente

 

Eu repetia: não. 

Antes -
A força vital pulsante de 21 anos caduca.
A sereia que conseguiu pernas descobre a nuca.
Entre o medo de se tornar espuma e susto da poesia, a espera por um salvamento ou um espírito de ar que não vem.

Mas dez anos vão.

Depois - 
Patelas mostram um sorriso torto de cartilagem.
Novos começos chegam antes dos fins de antigos novos começos.
Poemas, cadernos, visitas, encontros, surpresas e guacamoles.

Na ilha das bruxas:
a bicicleta, a reciprocidade, o jogo-do-sim, o ordinário e a arte na vida.
Não há certezas mas somos muitas e ele nunca.
Na ilha das bruxas Ícaro deixou de pular.

E agora, 
depois de centenas de cafés, ações, revisões e transbordamentos - o fim dos pequenos nicados.

Fez-se uma luz no chão.
Parte de mim celebra a trajetória dos que chegaram, partiram e que aqui estão.

De repente - ou finalmente - 
danço escrevo uma emoção sem sentimento.


 

2.

Contexto sem texto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

foto de Ines Saber

3.

Contexto com texto

(minhamanraduzir

umacoisaemdiversasformas

eminhainabilidade

deescolhertítulos)


Hoje prefiro não traduzir.

 

4.

Quem

 

Convivendo com pessoas incríveis, inteligentes, guerreiras, agentes de mudanças, engajadas, criativas e inventivas, resilientes e com certezas caducas.

O que tem em comum? Trabalham muito e inventam o tempo todo como sobreviver. 

Fazem pão, pintam paredes, corrigem provas de ENEM, recepcionam gringos em um hotel, montam 150 sanduíches numa noite, fazem design de sobrancelha, vendem sabonetes natura, bordam, dão aulas. Enfim, sem fim. Têm vidas duplas, triplas, múltiplas. Muitas delas são artistas, educadoras, pesquisadoras e várias outras tantas coisas. Algumas destas pessoas já não buscam certezas e, sem heroísmo ou propaganda, criam outros mundos possíveis pelas brechas. 

Consequências.

Necessidades são reveladas e possibilidades inventadas. Estão aí, muitas dessas pessoas se disfarçam muito bem no mundo que vivemos. Mas ali, se olhar bem, tem uma grama nascendo no concreto; tem outros pensamentos que não o reto. Tem crítica e proposição.

Hoje penso que não ter certezas é até bom.

 

6.

A hora certa
 

Todos os dias, centenas de milhares de pessoas em lugares remotos ou não, com diferentes idades, crenças,  culturas dizem entre pais e filhos, familiares, amigos, amantes. 

Não é uma lei, tem gente, inclusive, que deixa escapar no final de um telefonema, para pessoa errada. 

Segredo? não.

São palavras que tanta gente já disse e que ainda vai dizer,

mas nada de revelador me ocorre.

 

Tento lembrar de situações anteriores.

Parece até que nunca disse (sei que já, mas a sensação é esta).

Aconteceu, 

mas sabia que se contasse com palavras perderia toda a pulsão da sensação que seria dizer algumas palavras....   durante o sexo.

Confundir o gozo com amor parece mais inapropriado no ato do que quando se fala dele.

 

Fico pensando que também te atravessa porque eu vi que você se escapa num “eu te adoro”.

Aconteceu de novo, 

mas aí mostrei outras coisas para evitar falar o óbvio ululante, por não saber o que fazer.

 

E depois da tentativa frustrada de escapar de uma chuva torrencial,

com mochilas pesadas e sapatos molhados,

uma vontade de comer bolo.

 

Os filmes mostram beijos na chuva. 

  11.

Por enquanto...

Repetir também é uma forma de mover/viver.

 "Lo mismo con las canciones

Los pájaros, los alfabetos

Si quieres que algo se muera

Déjalo quieto" 

(Jorge Drexler)

"Hay cosas que te ayudan a vivir

No hacías otra cosa que escribir"

(Fito Páez)

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TRANSCRIAÇÕES e DOC-POESIAS

"Nunca antes tanta imersão"

transcriação do poema Canção de mim mesma (Song of Myself), de Walt Whitman.

Videoarte por Érica Ignácio e Ines Saber

(2020) texto em português

(ficha técnica completa no link do vídeo)

"Never any more inception"

Ines Saber & Erica Ignacio transcreate Walt Whitman's Song of Myself

Videoart

(2020) in English

SOBRE O DOC-POESIA

Partindo de uma noção expandida de poesia, mergulhamos em uma experiência corpórea com o poema Canção de Mim Mesma (Song of Myself - 1892) de Walt Whitman (1819–1892). O poema não se limitou a ser uma lente para ver o mundo, foi uma roupa encharcada que provocou sensações, ações e deixou vestígios. O exercício de traduzi-lo foi um caminho intrincado, concomitante ao poema, celebrando o corpo, a experimentação e a fusão dos eus que cada eu alberga. Os vestígios desse testemunho compartilhamos aqui na forma de Docpoesia (produto artístico em que dança, cinema e literatura são áreas codependentes) da Seção 3 do poema. “Nunca antes tanta imersão” é um convite para a contemplação; um modo de apreciar a introdução desse poema enorme, na imensidão do silêncio e da lentidão.

IF  Rudyard Kipling

Vídeodança do poema IF de Rudyard Kipling, resultado de pesquisa em interarmidialidade.

(2012)

Com Érica Ignácio, Natasha Durski
Este foi o nosso primeiro exercício de transcriação em doc poesia 

VÍDEOS (e) DANÇA

SOBRE AS AUTORAS

Érica Ignácio (1988, Curitiba/Rio de Janeiro) e Ines Saber (1987, Curitiba? Florianópolis) são professoras, doutorandas, inventoras de novas palavras e de modos de traduzir sutilezas que testemunham. Teimam em mergulhar em poemas, danças e imagens. Movem-se pelos sambas que a vida dá: desde 2010 criando em parceria no Coletivo Crivo. 

VÍDEOS (e) DANÇAS

HAPPY LIES - The Shorts

Videoclipe oficial para a música da banda The Shorts (2017)
Official videoclip for the song by The Shorts

AN INVITATION

This is an invitation from Ines Saber, an artist and researcher, to the artist and professor Barbara Browning.

Directed and created during 2020 quarantine by Ines Saber.

Edited and produced by Ines Saber and Marcos Klann.

Contributions from UDESC Grad-students of Visual Arts and Paloma Bianchi

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